Abrace, pois, a Campanha da Fraternidade de 2015!

Por Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Postado em 10 de Março de 2015 - Brasília

 Cinquenta anos atrás, quando o Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965) estava terminando, seus participantes aprovaram um documento que marcaria a vida da Igreja nas décadas seguintes. Trata-se da “Constituição pastoral Gaudium et spes sobre a Igreja no mundo de hoje”. Esse documento não estava previsto para ser publicado antes do término do Concílio; sua necessidade se impôs, no entanto, à medida que os bispos foram percebendo a necessidade de esclarecer qual deve ser a relação da Igreja com o mundo e com os homens e mulheres da época. O início do texto que aprovaram é como que uma síntese de seu conteúdo: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo. Não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração” (nº 1).

A Campanha da Fraternidade, que tem à sua frente os bispos do Brasil, quer verificar, neste ano de 2015, como está e como pode ser aprofundado o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade em nosso país, à luz do lema: “Eu vim para servir” (cf. Mc 10,45).

Uma primeira certeza se impõe: a mensagem do Evangelho exige dos cristãos e cristãs o dever – mas também o direito –, de participar da vida da sociedade. O que deve mover-nos nesse serviço é a missão que recebemos de Jesus, de trabalhar em favor da verdade, da justiça e da fraternidade, em vista do bem comum. Nesse serviço, cabe-nos organizar movimentos em defesa dos direitos das pessoas, de combate a injustiças que atentam contra a dignidade humana e pela implantação de programas de assistência a pessoas e  grupos necessitados. Queremos participar da sociedade, defendendo valores em prol da vida e da dignidade das pessoas, como o fez Jesus Cristo em seu tempo. É esse o nosso modo de servir. Nesse serviço, deve guiar-nos o desejo de ser solidários com os pobres – isto é, com aquelas pessoas que, sem a ajuda de algum “Samaritano”, não sairão da situação em que se encontram.

Justamente porque a finalidade da Igreja é de ordem religiosa, sua missão possui essencialmente uma dimensão social – ou, para voltar ao Concílio: “Não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração”.

Concretamente, a CF 2015 pergunta: o que pode ser feito para que cresçam o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade brasileira? Destaco alguns pontos: procurar conhecer os problemas do bairro, da cidade e da sociedade, e perguntar como eles provocam o agir cristão; conhecer melhor a própria fé, principalmente no que diz respeito ao Catecismo da Igreja Católica e ao Compêndio da Doutrina Social da Igreja; anunciar os benefícios do Evangelho para uma vida digna e para a superação dos problemas de relacionamento pessoal, comunitário e social; identificar as situações de pecado social presentes na sociedade, descobrir suas causas e buscar motivações evangélicas para a sua superação; examinar a realidade local e ver que situações poderiam ser corrigidas com um trabalho comunitário; descobrir em pessoas de outras igrejas possíveis construtores de um mundo melhor e partilhar experiências; investir na Pastoral Familiar, para superar a principal causa da violência, que é a desestruturação da família; apoiar as iniciativas da sociedade organizada e de organizações não governamentais que visem à cultura da paz; fazer do espaço profissional, estudantil, social e de lazer um lugar de missão; desenvolver uma mística que veja o próprio Jesus sofrendo nas pessoas; destacar nos estudos bíblicos a relação entre religião e responsabilidade social; desenvolver a consciência da responsabilidade em relação à política etc.

A lista de possíveis iniciativas de colaboração da Igreja com a sociedade é imensa. A razão disso é uma só: as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias de qualquer pessoa são novas oportunidades para o discípulo de Jesus amá-lo e servi-lo no irmão.

Abrace, pois, a Campanha da Fraternidade de 2015!

Fonte: (Zenit.org)