Reflexão Mensal

 Capelinha da Divina Misericórdia

Paróquia Mãe da Divina Misericórdia

Brasília-DF

Reflexão 05 - 1º de março/2015

Jesus, eu confio em Vós!

I - QUAL É A LIGAÇÃO ENTRE O AMOR E A MISERICÓRDIA?

A essa pergunta, devemos dizer que a existência do amor não depende da existência da misericórdia, mas a misericórdia não pode existir sem o amor.

A misericórdia revela-se naquela situação em que a outra pessoa sente falta de alguma coisa, quando experimenta alguma necessidade tanto no campo natural como no sobrenatural.

No amor, isso não acontece. Podemos dizer que Deus criou um mundo de amor e de bondade, mas não de misericórdia, porque antes não existia nada, absolutamente nada, além de Deus. Portanto, não se poderia demonstrar bondade e misericórdia para o nada. A misericórdia existe em Deus sempre e em abundância, mas revela-se somente depois da criação do mundo, ou melhor, depois do pecado original quando, pela desobediência a Deus, o homem livremente desvia-se dos planos perfeitos do Pai Criador.

A partir desse momento, o amor e a misericórdia revelam-se ao extrair aquilo que é bom no ser humano, ao tirar o bem que está debaixo do monte do mal, ao vencer o mal pelo bem.

A misericórdia então é a medida indispensável do amor, ela é o outro nome do amor. Ter misericórdia significa demonstrar amor à pessoa que está caminhando pela vida e suportando o peso das fraquezas humanas, sejam elas as próprias ou as do próximo.

Na perspectiva da salvação eterna, a misericórdia revela-se como amor, enquanto, na nossa caminhada cotidiana, é o amor que deve se revelar pela misericórdia.

II - QUAL É A DIFERENÇA ENTRE A MISERICÓRDIA E O PERDÃO?

Percebemos que o conceito de misericórdia é mais abrangente do que o do perdão. Na verdade, o perdão é uma forma de misericórdia. Ele é uma forma de misericórdia que nós demonstramos no caso de culpa de alguém e quando, em consequência da culpa, vem o arrependimento dessa pessoa. 2

 

Quando falamos sobre o perdão de Deus, sobre o perdão entre as pessoas ou sobre o perdão a si mesmo, sempre falamos da mesma coisa. Temos de sempre olhar com amor, sem ressentimentos, sem sentir rancor, aquele que tem culpa. Temos de agir como Deus que nos deu o seu exemplo. Ele sempre se revela como o Misericordioso Pai que perdoa.

No gesto de perdão, as duas partes são unânimes na questão essencial, tal qual a dignidade que é o valor essencial da pessoa humana. Esse valor não pode se perder.

A ideia da misericórdia no Novo Testamento foi elaborada com base no encontro do pai com o filho na parábola sobre o Filho Pródigo (Lc 15,11-32) e torna-se uma referência para todos os encontros entre as pessoas.

Nesse caso, nós vemos a alegria do pai por causa da recuperação da dignidade do filho, porque a essência do sentimento paterno baseia-se na esperança do retorno do filho.

O perdão significa que no mundo existe o amor que é mais forte do que o pecado.

Se tiramos de nossas vidas o misericordioso perdão, então o mundo torna-se frio e cheio de impiedosa justiça e, em nome dessa justiça, cada um vai reivindicar os seus direitos em relação aos outros. Mais ainda, o egoísmo e o amor-próprio que existem no ser humano transformam-se num campo de lutas sem piedade.

O perdão introduz nos nossos relacionamentos um elemento, graças ao qual, este mundo torna-se mais humano e - por que não dizer - mais divino.

Mas para que o perdão possa se realizar desse modo, não podemos nos esquecer da misericórdia. A consciência do fato de que não somos perfeitos e, portanto, sempre devemos algo aos outros, pode e deve criar uma sensação de fraterna solidariedade, tão acentuada por São Paulo “Ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos e deste modo cumprireis a lei de Cristo.” (Gal 6,2)

A misericórdia não significa somente o perdão, a justificação e o fato de que somos amados por Deus. Ela é a melhor arma na luta contra o mal. Independentemente do modo como vamos demonstrar a misericórdia, sempre multiplicaremos os efeitos dela.

III – QUAL É A DIFERENÇA ENTRE A MISERICÓRDIA, O COMPADECIMENTO E A PENA?

O compadecimento é um modo de participar na vida sentimental da outra pessoa. Ele forma uma ponte entre o meu sentimento e o sentimento do outro. 3

 

A pena é um choque emocional que nasce quando vemos a miséria humana, quando vemos o estado lamentável da pessoa humana. Esse choque leva-nos não somente ao choro, mas, às vezes, a uma ação concreta.

É muito bom quando, ao sentirmos pena de alguém, passamos ao compadecimento e, em seguida, à misericórdia que é a coroação do amor.

As sementes do amor, podemos encontrá-las tanto no compadecimento, como no sentir pena de alguém.

A misericórdia tem algo de compadecimento. Ela não somente reconhece objetivamente o estado sentimental da outra pessoa, mas também participa dele.

Ela alegra-se com aqueles que ficam alegres e fica triste com aqueles que choram. Mas os caminhos da misericórdia e do compadecimento são diferentes e se separam, pois o compadecer-se pode referir-se às situações alegres da outra pessoa, mas a misericórdia refere-se, antes de tudo, às situações de miséria do outro.

Nós podemos compadecer-nos da outra pessoa, mas o debruçar-se com misericórdia, podemos unicamente fazê-lo nos casos de dor, de tristeza e nas experiências de sofrimento do outro.

Sob esse aspecto, a misericórdia é muito parecida com a pena de alguém, mas ela é muito mais que isso. A pena também se debruça sobre a outra pessoa, mas apenas sobre aquilo que e ouve, enquanto a misericórdia debruça-se sobre aquilo que sabe, até quando não vê a necessidade de levar ajuda e não ouve o grito de desespero.

A misericórdia entende e sabe que o ser humano é o grande dispensador dos dons que provêm do Criador. Para a misericórdia ainda é possível consertar tudo, nem tudo é perdido, porque a misericórdia é a dor da esperança.

A misericórdia então não é uma disposição, não é um compadecimento, não é uma generosidade, mas é uma atitude de amor que se baseia na dignidade humana e no respeito para com a outra pessoa.

Jesus, eu confio em Vós!

Pe. Stanislaw


Rua Guedes Cabral, 143 - Rio Vermelho
CEP 41950-620 - Salvador - Bahia - Brasil
Tel: 71-3335-2012 Fax: 71-3335-5794

Paróquia Sant’ana Rio Vermelho - Salvador / BA © 2012