Reflexão Mensal

 Imaculado Coração de Maria: refúgio contra todo mal

 

Festa do Imaculado Coração de Maria. “Deus quer estabelecer no mundo a Devoção ao Meu Coração Imaculado. Se fizerdes o que vos digo, muitos almas se salvarão e terão paz. (…) Por fim, o Meu Imaculado Coração Triunfará.” (Nossa Mãe Santíssima em Fátima, 1917).

 A decisão do Papa Francisco de no ano passado (13 de outubro) repetir o gesto de seus predecessores, consagrando novamente o mundo ao Imaculado Coração de Maria, reacende no coração dos católicos a necessária devoção mariana, já que "não há fruto da graça na história da salvação que não tenha como instrumento necessário a mediação de Nossa Senhora"01. Ela, a Tota Pulchra, a Virgem Puríssima cuja maternidade divina se estende desde o céu a toda a humanidade, é quem prodigaliza as bênçãos da paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, repartindo-as de bom grado entre cada um de seus filhos, sobretudo entre aqueles que souberem optar pelo sim total ao seu dulcíssimo Coração.

  O vale de lágrimas no qual se transformou os países do Oriente Médio, onde centenas de milhares de cristãos estão sofrendo, vítimas da perseguição de extremistas islâmicos, provoca, obviamente, dor, desespero e indignação. A experiência daqueles que, de sobressalto, veem-se mergulhados numa esfera de terror e medo, como é a dessas nações neste momento, suscita as palavras de Cristo na cruz: "Eli, Eli, lammá sabactáni? - o que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Cf. Mt 27, 46). Por outro lado, ao longo desses dois milênios de Cristandade, a intercessão da Virgem Maria pelos filhos da Igreja sempre foi um refúgio seguro para defesa da fé. Com efeito, cada fiel é novamente convidado a recorrer à proteção da Mãe de Deus, tida pela Tradição como a Auxilium Christianorum, sempre que o bem da causa de Cristo estiver em jogo, como o está agora.

  Recorda o Papa Leão XIII, na sua Encíclica Augustissimae Virginis Mariae acerca da récita do rosário, que "a história da Igreja atesta a força e a eficácia destas orações, recordando-nos a derrota das forças turcas na batalha naval de Lepanto, e as esplêndidas vitórias alcançadas no século passado sobre os mesmos Turcos em Temesvar, na Hungria, e perto da ilha de Corfu"(Cf. 09). Alçada pela vontade de Deus à graça de cooperar na obra da salvação, Maria, sempre que invocada por seus filhos, não os abandonou à própria sorte, antes, agiu de forma decisiva para o êxito da Igreja e para glória do nome de seu filho, Nosso Senhor e Salvador.

  Inúmeros são os testemunhos dos santos que, abandonando-se à proteção maternal de Maria, puderam antegozar na terra o paraíso que os aguardava no céu. Ora, e não há um sequer que tenha chegado à glória dos altares sem antes ter-se formado no cenáculo da Beatíssima Virgem, o qual também formou Jesus durante 30 anos, período em que viveu servindo-a em silêncio e recolhimento antes da sua revelação pública. Tamanha é a pureza de Maria, diz São Luís Maria Grignion de Montfort, "que Ela glorificou mais Deus pela mínima das suas obras (por exemplo: fiar na sua roca ou dar alguns pontos de costura com agulha), do que São Lourenço pelo cruel martírio que sofreu na grelha, e mesmo do que todos os santos pelas suas mais heroicas ações".

  Na condição de criatura escolhida por Deus para dar à luz o seu próprio filho, Maria teve a nobre missão de ensinar a Palavra de Deus a falar, uma vez que era Ele "semelhante a nós em tudo, exceto no pecado" (Cf. CIC, n.470). Se, portanto, Deus, para redimir o gênero humano, se submeteu aos cuidados de uma mulher, acolhendo-a por mãe, que resta à humanidade senão ir ao encontro dessa mesma mulher em caráter verdadeiramente filial? Ora, se Deus a amou como Filho, como não amá-la e servi-la também?

  Ocorre que, perante o flagelo da humanidade pelo pecado e pela ação destruidora do mal, é exatamente neste momento - lembra Bento XVI - "que teremos em Nossa Senhora a melhor defesa contra os males que afligem a vida moderna". Com efeito, faz-se mais do que urgente a consagração total ao Imaculado Coração de Maria, porquanto "foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por Ela que deve reinar no mundo".02

  O lema do pontificado de São João Paulo II era "Totus tuus" ou "todo teu". É de conhecimento público que o Santo Padre era um consagrado à Virgem Santíssima e que sua consagração fora feita pelo método proposto por São Luís Maria Grignion de Montfort, em seu livro "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem", cujos 300 anos de publicação foi comemorado em 2012. Diante disso, desde o ano 2000 vem sendo promovidas inúmeras campanhas de divulgação do Tratado (Consagra-te) objetivando que as pessoas também se consagrem à Virgem por esse método.

 

Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

 Referências

 Missa e Canonização de Frei Antônio de Sant’Anna Galvão, OFM

 Cf. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 01

 

Fonte: Apostolado da Divina Misericórdia

 

 

Apresentação do Menino Jesus no Templo

 

"Hoje a Virgem Maria apresentou o Menino Jesus no santo templo. Simeao, impelido pelo Espírito, recebeu o Menino nos seus braços e deu graças, bendizendo ao Senhor". (Vesp.II, ant.)

 

Oração Inicial

Oh! Virgem Santíssima, entre as inúmeras graças que tivestes, pudestes também apresentar o vosso divino Filho no Templo. Vós que colocastes vosso divino Filho nas mãos do sacerdote Simeão, vós que deste modo, entregastes o  vosso Filho a Deus, porque a Ele pertencia. Vós que sabíeis perfeitamente que o vosso Filho seria martirizado, seria vítima expiatória, iria ser consumado em holocausto por amor de Deus e salvação dos homens; vós fizestes esta entrega com inteira abertura de alma, com inteira generosidade; vós sois para nós o exemplo perfeito de uma entrega total.

Ave Maria, cheia de graça ...

 

I - A Apresentação do Messias Prometido.

"Depois que se completaram os dias da purificação segundo a lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém, para o apresentar ao Senhor". (Lc. 2, 22)

Deus é puro espírito; nós aprendemos no catecismo que ele está em toda a parte e, de fato, não há um só recanto do Universo onde Deus não esteja presente.

Puro espírito, onipotente, onipresente, oniciente. Mas Deus está mais presente em umas partes do que em outras, é evidente! Mas onde Deus está mais presente? Onde Ele atua. Por ser puro espírito, Deus está mais presente onde Ele age. Agindo aqui, agindo lá ou acolá, Ele mais está onde mais age.

Mas, Deus que está em toda a parte, gosta de ter um lugar onde Ele é mais facilmente encontrável; claro, que nós andando por todos os cantos, estamos andando dentro de Deus, pois, como diz São Paulo por citação em sua epístola, Deus está dentro de nós, nós em Deus nos movemos, em Deus nós agimos. O homem estando no Paraíso, estava diariamente em convívio intenso com Deus. No Paraíso, Deus se manifestava todas as tardes à Adão, Ele passeava todos os dias com Adão no Paraíso.

O homem entretanto pecou, e tendo pecado, foi posto fora do Paraíso. Saindo do Paraíso, passou a levar uma vida nômade, deslocando-se de um lado para o outro, sem moradia fixa. Os locais onde os homens habitavam eram as tocas, as grutas; ele não tinha ainda construído nenhum edifício para morar, só mais tarde é que o homem vai criar as tendas. É andando de um lado para outro, que em certo momento, quando o povo judeu saiu da escravidão do Egito, que Deus deu a eles a possibilidade de terem uma tenda sagrada, onde ficava a Arca da Aliança. Era precisamente nessa tenda, que eles encontrariam mais facilmente Deus.

Só muito mais tarde - porque foram 450 anos de escravidão no Egito - no reinado de Davi, já estabelecido o reino de Israel, que o rei quis construir um templo para Deus em substituição à tenda sagrada, onde Deus seria mais facilmente encontrável. Contudo, não alcançou realizar seu sonho, quem o realizou foi seu filho Salomão.

Salomão construiu um templo que foi tão grandioso, tão bem aceito por Deus naquele tampo, que no dia em que foi inaugurado, desceu do céu uma nuvem - talvez em dia de céu muito claro - nuvem que era o símbolo do Espírito Santo e que envolveu todo o templo, para dar a ideia de que Deus tinha penetrado em sua Casa. Deus tinha tomado conta de templo.

Cânticos, alegrias, o Espírito Santo se manifestando neste e naqueles, verdadeira euforia. O que havia de melhor na época: o melhor ouro, a melhor madeira, a melhor prata, o templo estava ornado com o que havia de mais extraordinário.

Mas o povo não foi fiel e acabou sendo dominado pelos babilônios que destroem completamente o templo, destroem até a própria cidade de Jerusalém. Mais tarde, o templo é reconstruído por Zorobabel e quando foi inaugurado, o povo ao invés de alegrar-se, chorou, porque via que o templo já não tinha mais o esplendor daquele que tinha sido construído por Salomão, o novo templo era muito inferior ao antigo. Além do mais, não desceu uma nuvem do céu para envolvê-lo.

Enquanto o povo chorava, Ageu, profeta da época, fez uma profecia: este templo teria uma glória e um esplendor muito maiores do que a própria glória e esplendor do templo de Salomão.

Quem poderia imaginar a cena na qual a profecia de Ageu se cumpriria?

O Templo na glória de sua inauguração, ou na esperança da hora de sua reconstrução, jamais acolheu alguém mais importante, o próprio Criador Menino, nos braços de sua Mãe, para ser oferecido ao Pai! (1)

O dia mais glorioso no Templo

De fato, está aí para nós preparada a cena: o Menino Jesus nos braços de Nossa Senhora sendo introduzido no templo.

Imaginemos Nossa Senhora com o Menino Jesus chegando ao pátio das mulheres; ela ia apresentar seu filho no templo depois de quarenta dias, segundo rezava a Lei.

Imaginemos a maravilha desta cena: os passos de Nossa Senhora ecoando pelo templo, ela com o véu sobre a cabeça, roupagens daquele tempo, uma túnica lindíssima; jovenzinha, com um bebe - Jesus - o Deus vivo, Filho de Deus, sendo carregado nos braços, um bebe maravilhoso. Maria vai se aproximando das outras mulheres que estão por alí para cumprirem o preceito da Lei. Nossa Senhora junta-se a elas e todas encantadas com aquele bebe que acaba de chegar. Apesar de todas terem o seu bebe nos braços, viram-se para o Menino Jesus e dizem: que menino encantador! Que bebe extraordinário! Mas Nossa Senhora que era a humildade em pessoa - tanta humildade existia nela - interessava-se pelo filho de cada uma, e fazia um elogio a este, um elogio a aquele, isso dentro daquele convívio oriental borbulhante como costuma ser. As mães se congratulam pelos filhos, mas sobretudo faziam uma roda em torno de Nossa Senhora.

 

1 - Os primogênitos pertenciam à Deus.

A Lei de Moisés prescrevia duas situações, dois preceitos que era necessário observar: a primeira era a purificação da mulher - segundo a Lei, quando a mulher dava a luz, devia aguardar quarenta dias, se fosse menino, e oitenta dias se fosse menina; depois disso deveria se apresentar no templo e oferecer um holocausto por sua mancha legal.

Por outro lado, estando os judeus no Egito como escravos, a décima praga predita por Moisés afim de ameaçar o Faraó, constituiu, caso Faraó não permitisse a saída do povo judeu rumo a terra prometida, em que todos os primogênitos do povo egípcio, incluindo os primogênitos dos animais, seriam mortos pelo Anjo do Senhor. Pois bem, a manhã do dia seguinte foi de enterros, de prantos e lamentações terríveis, todas as famílias egípcias tiveram seu primogênito, quer fosse animal quer fosse filho, mortos.

Com isso, houve um clamor do povo: ponha esta gente fora daqui; chega de tanta maldição. Aí, então, o Faraó permitiu que eles saíssem.

Foi depois desta última praga, que Moisés estabeleceu, por mandato de Deus, que todo primogênito judeu fosse entregue a Deus, pois Ele os tinha poupado da morte, não permitindo que fossem mortos junto com os primogênitos egípcios; então, por esta condescendência, os primogênitos judeus pertenciam a Deus.

Maria Santíssima está nesta contingência: está com seu filho primogênito, podíamos dizer Unigênito, porque está com seu único filho, primeiro e único; e pela Lei ela deveria entregar este filho ao templo, para que o sacerdote o pusesse nas mãos de Deus. Maria vai então com sofreguidão, porque ela sabia que este ato tinha um sentido muito alto; ela apesar de ser virginalíssima, apesar de puríssima, apesar de ser a Mãe da própria Pureza, Nosso Senhor Jesus Cristo, porque Ele é a pureza em substancia, ela quis cumprir a Lei, não só pela razão social, para depois não estar colocada fora da sociedade, mas ela quis cumprir a Lei por amor a pureza e a humildade; ela sendo a Mãe da Pureza e sendo a virgem pura, tinha verdadeiro encanto pela virtude da pureza. É por isso que Maria se apresenta como mãe daqueles que são puros e humildes, mãe daqueles que amam a pureza e a humildade e estes são dons que Maria quer trazer ao mundo de hoje, tão perdido, tão afastado destas virtudes excelsas, desta virtude angélica - diz-se virtude angélica, porque os Anjos não tem corpo - por isso queAPRESENTA?AO DO MENINO JESUS NO TEMPLO_1.JPG ela quer ser a Rainha dos Corações; esta foi uma das notas mais marcantes das aparições de Nossa Senhora em Fátima.

Imaginemos Nossa Senhora com o Menino Jesus nos braços entrando no templo.

O Menino Jesus, vítima que será entregue ao sacerdote e que depois será pago um resgate por Ele; foi o único que sendo entregue ao sacerdote e tendo pago o resgate, não será aceito por Deus. Deus quis a entrega de sua própria vida, de todo o seu sangue, quis d'Ele um holocausto inteiro.

A partir do momento em que a alma de Nosso Senhor Jesus Cristo foi criada, infundida no início de gestação no claustro materno de Maria Santíssima, Ele recebeu nessa hora uma alma inteiramente consciente, com toda a inteligência, com toda a vontade, com toda a sensibilidade, com toda a graça criada, com todos os dons, com todas as virtudes - Jesus é a própria virtude que foi colocada em sua alma. Sendo assim, Ele viu perfeitamente a própria missão que tinha enquanto homem; Jesus teve uma consciência clara de que devia fazer a redenção do gênero humano; a missão Dele era a de ser vítima de holocausto; a missão d'Ele era de reparar o pecado cometido por Adão e Eva, e nesta hora em que foi concebido, aceitou de se entregar a Deus como vítima expiatória. Mas esta entrega foi particular e agora nesta meditação, o que fazemos é levá-Lo nos braços, junto com Nossa Senhora, para ser posto nos braços do sacerdote e o sacerdote O entregará a Deus para ser vítima de holocausto. Ele inteiramente consciênte e na plenitude do uso da sua razão, quis oficialmente entregase como vítima.

Saudação: Ó Virgem puríssima, quero de hoje em diante, obedecer a toda a lei de Deus, a todos os meus deveres. Dai-me, Senhora, a liberdade de coração para desapegar-me das ocasiões ou relacionamentos sociais que me afastam de vós!

 

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Oração final : Oh Virgem Santíssima, que entregastes o vosso divino Filho com tanto desprendimento e com tanto amor a Deus para que Ele pudesse operar a Redenção do gênero humano; ainda que esta entrega consistisse em que uma espada de dor transpassasse o vosso Sapiencial e Imaculado Coração, ainda que vós sofrêsseis todos os tormentos e dores da Paixão, como de fato sofrestes, a ponto de serdes chamada Nossa Senhora das Dores; essas sete dores que transpassaram o vosso Coração, ó Virgem Santíssima, sofrestes com tanta generosidade, a ponto de entregar o maior tesouro que uma mãe pudesse possuir na face da terra; dai-me a graça de que eu também no final desta meditação seja tocado no mais fundo de minha alma, pronto para entregar tudo em vossas mãos; ser justo como Simeão e nunca pecar, ser puro como vós, amando a pureza como vós a amais; estou inteiramente disposto a sofrer tudo o que seja necessário para maior glória de Deus e santificação de minha alma. Assim seja!

Fonte: Arautos do Evangelho


 

Mãe de Misericórdia

Existe uma íntima relação entre Maria Santíssima, a Mãe de Jesus, o mistério da misericórdia divina e a prática da misericórdia. Maria está desde a sua concepção envolta na misericórdia infinita do Pai, pelo Filho e no Espírito (preservada do pecado e do demônio), ao mesmo tempo em que o seu agir – antes e depois da sua Assunção – está assinalado pelo amor efetivo aos seres humanos (especialmente pelos pecadores e sofredores).

Oficialmente a Igreja Católica aprovou a 15/8/1986 o formulário da Missa Votiva “Santa Maria, Rainha e Mãe de Misericórdia”, importante marco para a história de sua veneração – sem nos esquecermos que a 30/11/1980 o Papa João Paulo II destacara na sua Encíclica Dives in misericordia que Maria é a “pessoa que conhece mais a fundo o mistério da misericórdia divina” (n. 9). Anos depois o Catecismo da Igreja Católica (1997) dirá que ao rezar na Ave-Maria: “rogai por nós, pecadores”, estamos recorrendo à “Mãe da misericórdia” (n. 2677).

A invocação “Salve, Rainha de misericórdia” se encontra pela primeira vez com o Bispo Adhémar, de Le Puy (+ 1098); destaca a qualidade do olhar materno de Maria: “esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei”, e conclui com o sentido desta sua misericórdia: “ó clemente, ó piedosa, ó doce, Virgem Maria”. Já o título “Mãe de Misericórdia” se crê que foi dado pela primeira vez a Maria por Santo Odão (+942), abade deCluny. “Ego sum Mater misericordiae” (Eu sou a Mãe de Misericórdia), Maria lhe teria dito em sonho.

No mundo oriental podemos encontrar testemunhos ainda mais antigos. O padre oriental da Tiago de Sarug (+521), aplicou a Maria explicitamente o título de “Mãe de misericórdia” (Sermo de transitu), o que é por muitos considerado como sua primeira atribuição em absoluto. Relação com a Mensagem da Divina Misericórdia

Em Vilna, capital da Lituânia, se venera a imagem da Mãe da Misericórdia de Aušros Vartai (Portal da Aurora) desde 1522, localizada numa das entradas do antigo muro. Em 1773 o Papa Clemente XIV concedia indulgências a quem rezasse ali com devoção, e em 1927 o Papa Pio XI permitiu que a pintura fosse solenemente coroada com o título de Maria, Mãe de Misericórdia. Sua festa é celebrada a 16 de novembro.

Em nossos tempos, Santa Faustina Kowalska†, mística polonesa, nos repropõe a centralidade da Divina Misericórdia para a fé e a vida da Igreja, recorrendo a Maria Santíssima como Mãe da Misericórdia, padroeira da Congregação religiosa a que pertencia (cf. Diário 79, 449, 1560), cuja festa celebravam (a Congregação) em 5 de agosto. Por Providência divina, a primeira vez em que a imagem de Jesus Misericordioso foi publicamente venerada foi justamente em Vilna (cf. Diário, 417).    

Em qual sentido podemos proclamar Maria como Mãe de misericórdia? Sem cometer o grave equívoco de pensar que a misericórdia é reservada a Maria e a justiça a Jesus (como muitos medievais chegaram a pensar), o título “Mãe da Misericórdia” ou “Mãe de misericórdia” assim se justifica: Maria é a mulher que experimentou de modo único a misericórdia de Deus – que a envolveu de modo particular desde a sua Imaculada Conceição, passando pela Anunciação, como discípula fiel do seu Filho, até o grande momento da Sua Páscoa (paixão, morte, ressurreição, glorificação e Pentecostes). Ela é kecharitoméne, “cheia de graça”, ou seja, totalmente transformada pela benevolência divina (cf. Ef 1,6).

Maria é a mãe que gerou a misericórdia divina encarnada – graça extraodinária que coloca a jovem Maria, a partir da Encarnação do Filho de Deus, numa relação inimaginável de intimidade com o próprio “Pai das misericórdias” (2Cor 1,3). A partir do seu “eis-me aqui” e o seu “faça-se”, a misericórdia divina se faz carne e entra na história!

Maria é a profetisa que exalta a misericórdia de Deus – pois no seu cântico o “Magnificat” por duas vezes – unida ao Filho do Altíssimo e ao seu Espírito – ela louva ao Pai misericordioso: “a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem”; “socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia” (Lc 1,50.54).

Maria é a intercessora incansável do povo de Deus – elevada aos Céus em corpo e alma, Maria não deixa de apresentar as necessidades dos fiéis ao seu Filho, a quem rogou pelos esposos de Caná, quando vivia na terra (cf. Jo 2,1ss). Ela “continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna”, ensina o Concílio Vaticano II (Lumen gentium, n. 62), praticando assim a misericórdia, sobretudo para com os que padecem dos males da alma (pecadores), mas também do corpo (todos que sofrem).

Maria é a apóstola incansável da misericórdia divina – com a permissão e o envio do seu Filho, Maria visitou inúmeras vezes os seus filhos ainda peregrinos neste mundo, o que podemos contemplar nas aparições que já gozam de beneplácito eclesial (Guadalupe, La Salette, Lourdes, Knock, Fátima etc.), convidando a todos a se aproximarem do “trono da graça” que é o seu Filho. Com o seu coração compassivo de Mãe, não poderia permanecer indiferente às mazelas dos seus filhos neste vale de lágrimas! A Mãe de Jesus e nossa merece, portanto, ser honrada como Mãe da Misericórdia e Mãe de misericórdia! Ó Maria, Mãe que experimentastes e gerastes a Misericórdia, Mãe que proclamais e exerceis a misericórdia, fazei de nós autênticos apóstolos deste mesmo mistério de amor em nossos tempos. Amém.

Fonte: Portal da Divina Misericórdia (www.misericordia.org.br)

 
 

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