Formação Humano / Afetivo

Esta seção oferece reflexões na área de psicologia, psicopedagogia e antropologia, apresentando textos que falam um pouco sobre o comportamento humano, alegrias e sofrimentos, relacionamentos, vida em família e sociedade. Escritos que contribuem para a maturidade do homem cristão.

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MISSIONÁRIOS LEIGOS DA SANTA CRUZ

 

 Reverência pela vida

  

    O Espírito Santo fala sempre proferindo sabedoria no mundo louco dos homens. Fala sempre por meio de homens e mulheres em todos os tempos e culturas.

 Nós, cristãos, acreditamos que na “plenitude dos tempos” este Espírito fez a Palavra consubstancial de Deus (o Verbo) tornar-se humana em Jesus de Nazaré. Jesus não foi um santo, um profeta, um iluminado como tantos, mas, proclamou-se o Caminho, a Verdade e a Vida, e nos prometeu vida plena e eterna. É a “pretensão” do Cristianismo, mas que, reconhece “Sementes do Verbo” em todos os tempos e culturas.

Há os que falam em nome do Espírito Santo e há aqueles pelos quais o Espírito Santo fala. É preciso discernimento. O Espírito fala sempre de vida para as “culturas de morte”. Esta é a Cultura que o ser humano consegue criar, quando, arvorando- se deus, quer um paraíso sem um Senhor e em vez de desfrutar do fruto da “Árvore da Vida” quer apoderar-se dos frutos da “Árvore da Ciência do Bem e do Mal”.

Falando em vida e discernimento, frutos do Espírito Santo, o Papa João Paulo II disse: “Uma civilização se mede pelo respeito à vida.” É um critério singular na avaliação que se faz comumente sobre as civilizações. Estas são avaliadas a partir do seu desenvolvimento tecnológico, científico, poder bélico, expansionismo, pela cultura manifestada em magníficas construções, as demais artes, jurisprudência, refino e luxo. Enfim, poder e riquezas. Por esses critérios as civilizações são consideradas avançadas ou atrasadas, requintadas ou primitivas, civilizadas ou bárbaras

Pelo critério do respeito à vida, as civilizações mais conhecidas (inclusive a Cristandade) seriam todas incivilizadas e selváticas, pois, foram construídas no desrespeito ao maior valor: a vida humana e sua dignidade. As pequenas e grandes desrespeitaram proporcionalmente às suas dimensões. A humanidade não evoluiu neste aspecto, pois, no século XX ocorreram os maiores genocídios da história e crimes contra a humanidade e a vida.

Quando deixamos de ser servos e promovedores da vida, para sermos senhores e deuses diante dela, a humanidade corre o risco de extinção e torna-se menos humana. O tigre não se “destigra” mas o homem se desumaniza.

Antes de João Paulo II, no começo do século XX, o músico Albert Schweiter, conhecido na Europa pelos concertos, simplicidade, despojamento, sensibilidade pela natureza, dedicou sua vida aos pobres e doentes africanos. Considerado o São Francisco do Cristianismo Protestante disse: “Qual seria o princípio ético que devia conduzir a sociedade? A reverência pela vida. Tudo o que é vivo, deseja viver, tem o direito de viver, Nenhum sofrimento pode ser imposto sobre as coisas vivas, para satisfazer o desejo dos homens.” Dois homens profetizando o mesmo critério para esses novos tempos: respeito à vida.

 O Espírito Santo fala sempre por meio de homens e mulheres que cada ser humano é um valor em si, não pode ser usado, explorado, ferido, destruído na sua vida e dignidade. Com isso, meus olhos perderam o brilho e minha alma a graça, diante de muitos legados das civilizações.

 - Quantas vidas custaram?

 - A mão de obra foi escrava?

 - Quanto suor e sangue do pobre e desconhecido para imortalizar alguns na história?

 - Quanto investimento em glórias de alguns, e, ao lado, seres humanos, “glória de Deus” na miséria?

 O Talmude diz que os construtores da Torre de Babel preocupavam-se mais com um tijolo que caia do que com a queda de um escravo.

 Se a “História é a mestra da vida” esta é a grande lição que devemos aprender: não seremos civilizados se não respeitamos a vida.

  

Irmão João

Missionario leigo - Terapeuta

 

   

Homossexualidade - como endendê-la

   “A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo” (muitas vezes usa-se o termo lesbianismo para tal prática entre o sexo feminino) (Cf. Catecismo da Igreja Católica n. 2357).

O homossexual pode ser:

 

1) pessoas com tendência homossexual, mas que a ela resistem, ou seja, não praticam aquilo que o desejo lhes impele;

2) pessoas que tiveram uma experiência homossexual, geralmente na infância, e, por não terem uma formação adequada e um estado de maturidade ainda incompleto (geralmente na idade da adolescência), “acham" que são homossexuais, podendo passar a praticar o ato;

3) pessoas que assumiram a vida homossexual, não se importando com a imoralidade desta e mesmo vendo nela uma prática “normal” e até motivo de orgulho e propagação;

Causa (s) do homossexualismo

A prática homossexual é uma disfunção, que pode ter várias causas, mas não há uma causa biológica. Geralmente têm origem na relação com os pais e com os companheiros na infância e na adolescência.

No entanto, a causa direta dos atos de homossexualidade é a livre vontade humana. Nesse sentido, é correto dizer que o homossexualismo é uma “opção”. Uma opção má, mas uma opção.

O homossexualismo é, antes e acima de tudo, um vício, ou seja, algo que se opõe diretamente a uma virtude, no caso à virtude da castidade, que regula o instinto sexual segundo a reta razão.

Além de ser contrário à moral (assim como o adultério), ele contraria a natureza: (como também a bestialidade, a relação sexual anal, oral, etc), o que o torna mais grave entre todas as espécies de luxúria.

O que diz a Igreja sobre a homossexualidade

A Igreja é muita clara sobre sua posição quanto à homossexualidade:

“Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a tradição sempre declarou que "os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados". São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados”. (Cat. 2357)

Note-se que a Igreja fala “apoiando-se na Sagrada Escritura” (cf. Lv. 18,22; Rom 1,24-27). Fala abertamente contra o homossexualismo enquanto prática, o que é diferente de “sentimento”. .O "gostar de alguém do mesmo sexo" não é em si um pecado. Torna-se pecado se a pessoa se deixar levar por isso e passar a praticar isso. Se não, é antes uma cruz no caminho daquela pessoa. Por exemplo, um homem casado pode sentir atração por outra mulher no seu trabalho e ser provocado por aquela. Ainda não é pecado. Ele tem que lutar contra isso (fugir de ocasiões, rezar, amar sua esposa, etc). A graça de Deus o ajudará a vencer essa cruz. Do mesmo modo, se a pessoa homossexual não luta contra a sua fraqueza, mas aceita e pratica tais atos, aí sim ela está em pecado grave.

 Note-se, todavia, que há pessoas que sofrem tais atrações homossexuais sem o desejarem. Sobre estes, diz a Igreja:

“Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição” (Cat. n. 2358).

"Então Jesus disse aos seus discípulos: "Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" (Mt 16,24).

A pessoa com tendência homossexual deve então ser um eterno infeliz, por negar-se a si mesma? Absolutamente.

"O reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra. Então, esconde-o novamente e, cheio de alegria, vai vender tudo o que tem e compra esse campo." (Mt. 13,44ss);

"Como o Pai me ama assim também eu vos amo. Permanecei no meu amor. Se observardes os meus mandamentos permanecereis no meu amor, como eu cumpro os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos digo isto para que minha alegria esteja em vós e vossa alegria seja completa. (cf. Jo. 15,9ss)

Percebemos a palavra alegria nestas passagens?

Claro que é uma alegria "diferente", pois é a alegria interior de quem sabe que está fazendo a vontade de Deus, ainda que pra isso tenha que carregar a cruz, negando-se a si mesmo.

Nem tudo o que sentimos e gostamos é o certo. Se nos deixarmos levar pelo que sentimos e gostamos nos tornamos hedonistas e escravos de nossos desejos. Sabendo disso, Deus nos deixou mandamentos de certo e errado. PARA O NOSSO PRÓPRIO BEM.

Ás vezes não entendemos e temos a tendência de ver a culpa em Deus. Mas não é assim. A verdade é que temos em nós várias feridas, carências, etc, com as quais devemos lutar e superar.

Mas não foi Deus quem colocou essas fraquezas em nós. Elas são fruto da nossa condição de pecadores e/ou da ação de outros sobre nós.

 Comunhão

Com isso respondemos à pergunta acima, se um homossexual pode ou não receber a Eucaristia. Caso ele sofra atrações pelo mesmo sexo, mas luta contra o pecado (aceitar e praticar tais atrações), não há pecado e ele pode – e deve – receber a Eucaristia. Caso ele viva uma vida depravada, ele jamais poderia receber a Eucaristia, pois estaria comendo sua própria condenação (cf. 1 Cor. 11,27-30). Neste caso não há uma discriminação humana, mas uma proibição explícita da parte do próprio Deus, que fala por sua Palavra.

Assim como todo batizado, o homossexual é chamado a assumir a cruz e lutar pela santidade, como nos diz a Igreja:

“As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã”. (Cat. n. 2359)

 Resumindo:

1)     antes de mais nada, sempre tem que ficar claro que Deus ama TODOS os seus filhos, e os que estão vivendo a homossexualidade não são exceção. Logo, jamais o cristão deve concordar com a violência, sob qualquer forma, a estas pessoas.

2)     Dito isto, tem que ficar claro também que há uma diferença entre a pessoa e o pecado. “Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (I Tm 2,4). O pecado grave pode impedir a salvação, por isso, é DEVER da Igreja denunciar o pecado, para que  a vontade de Deus aconteça nos seus filhos.

3)      A pauta de conduta é: amamos a pessoa, mas não podemos concordar com o seu pecado, que tem que ser denunciado, para o próprio bem da pessoa. O pecado da prática homossexual é grave, podendo levar a condenação eterna de quem o pratica (cf. Lev. 18, 22; 20,13; Rom. 1, 26-27);

4)     Também há de se saber que cada caso é um caso, ou seja, a história pessoal de cada um, bem como outros fatores, influenciam no "sentir-se" homossexual. A pessoa precisa de ajuda espiritual/psicológica.

5)     Além disso, "sentir" atração pelo mesmo sexo é um desvio que ainda não é pecado; passar a praticar o ato direta ou indiretamente torna-se um pecado grave.

6)     Que a pessoa que sofre com isso busque: procurar um sacerdote e/ou um psicólogo engajado na Igreja para orientação. Ler o catecismo da Igreja, sobre esta questão moral.

 
 Fonte: www.misericordia.org.br
 

 Como lidar com o desânimo? 
   
“Não é verdade que o homem, propriamente e originalmente, aspira a ser feliz? Diria eu o que o homem realmente quer, em derradeira instância, não é a felicidade em si mesma, mas, antes, um motivo para ser feliz (Frankl, 1990, p. 11)”.
 
 Desanimo2
Você já deve ter ouvido alguém na última semana lhe dizer: “nossa, estou desanimado, não tenho vontade para nada”.
 
Para avaliarmos as situações que geram desânimo, convido você a perceber quanto consegue ter habilidade para lidar com as dificuldades e as situações delicadas em sua vida.
 
Atribuímos esta capacidade ao que chamamos de resiliência, ou seja, a capacidade de conviver com as situações de vida, superar dificuldades e dar um novo sentido para a vida.
 
Qual é o sentido da vida? De que forma posso encontrar propósito, realização e satisfação na vida? Consigo construir algo que tenha duração plena?
 
Muitas pessoas jamais pararam para pensar no sentido da vida e um dia, depois de muitos anos, começam a questionar por que seus relacionamentos não deram certo e por que se sentem tão vazias, mesmo tendo alcançado algum objetivo anteriormente estabelecido. Um jogador de baseball que alcançou sucesso neste esporte foi questionado sobre o que gostaria que lhe tivessem dito quando ainda estava começando a jogar baseball. Ele respondeu: “Eu gostaria que alguém tivesse me dito que quando você chega ao topo, não há nada lá.” Ou seja, muitos propósitos para os quais nos voltamos, não fazem sentido pleno. Vamos atrás de propósitos que nos completam, tais como: sucesso no trabalho, prosperidade, relacionamentos, entretenimento, etc e quando conseguimos tudo isto, parece que nada  preenche.
 
O sentido da vida é descobrir qual é o sentido da mesma, ou seja, descobrir quem somos, de onde viemos e para onde vamos, sobre a procura da felicidade, sobre o amor ao próximo e outros. Sentido da vida é também o progresso material e especialmente espiritual, pois no crescimento individual nestes campos a pessoa se faz e consegue compreender.
 
Muitas vezes, paramos em situações até mesmo simples, mas damos mais importância do que ela realmente merece, maximizando problemas ou vendo situações que nem sempre são adequadas e nisto acabamos por cair no desânimo.
 
Nem todos temos uma vida perfeita mas o mais importante é entendermos que por vezes, precisamos parar, nos colocarmos de forma ativa frente as dificuldades, e compreender que a vida se faz a cada momento que superamos as dificuldades. Confiar, aceitar suas capacidades e limitações, aceitar algumas coisas e dar passos na mudança de outras será muito importante neste caminho.
 
Elaine Ribeiro, Psicóloga Clínica e Organizacional. 
Twitter: @elaineribeirosp
Publicado por temasempsicologia desanimo
 
 
 
 

MISSÃO URGENTE

MISSIONÁRIOS LEIGOS DA SANTA CRUZ

 

 

Não basta sobreviver, é preciso viver bem

 

Uma vez, na era glacial, a Terra quase toda foi tomada pelo gelo. Com isso, muitos animais não resistiram e, por não se adaptarem ao clima hostil, muitas espécies desapareceram.

Aconteceu que numa manada de porcos espinhos, na tentativa de se proteger e sobreviver, seus indivíduos começaram a se unir e se juntar por conta do calor do outro. Perceberam que juntos, unidos aqueciam- se mutuamente, enfrentando por mais tempo aquele tenebroso inverno.

Mas, o frio não era o único inimigo a ser vencido. Aquilo que a natureza lhes dera como defesa e ataque, agora, começava a ferir, incomodar e afastar os companheiros mais próximos. Eram os espinhos.

Assim, feridos, magoados, sofrido, foram se dispersando, afastando- se do calor, pois os espinhos dos seus semelhantes pareciam mais terríveis que o próprio frio.

Separados, começaram a morrer congelados. Essa não era a melhor solução. Mais uma vez a natureza conduziu os porcos espinhos sobreviventes a aproximarem- se uns dos outros, dessa vez com mais cuidado, jeito, conservando uma certa distância, a suficiente para não se ferirem, não causarem danos recíprocos e desfrutarem do calor salvífico.

Assim, sobreviveram à longa era glacial.

Por nos identificarmos com esta historinha, passo-a para você refletir em família, na escola, igreja, empresa e onde houver convivência. E onde não há convivência, já que homem algum é uma ilha?

A convivência foi a responsável pela nossa humanização e evolução, mas ela é como uma espada de dois gumes, moeda de duas faces, carrega em si uma dicotomia. Ela é vida ou morte, céu ou inferno, saúde ou doença do ser humano.

Conviver é o nosso maior desafio e são poucos os líderes e profissionais da harmonização nos focos de tensões dentro da família ou entre as nações; entre duas pessoas ou uma comunidade; nos confrontos entre culturas, crenças e realidades socioeconômicas.

Se não há outra saída, senão conviver, vamos trabalhar e investir com o auxílio das ciências afins, motivações religiosas, dinâmicas e terapias, na transformação de convivências nocivas em saudáveis. Pois não basta sobreviver às intempéries da vida, é preciso viver bem e de bem com as pessoas da nossa convivência.

Irmão João