Espiritualidade

Esta seção traz estudos teológicos, doutrinais e reflexões que visam esclarecer e orientar a pessoa na vivência de uma autêntica e encarnada Espiritualidade Cristã.

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 Considerações sobre a fé e a dor

A presença de Deus em nossa vida. Busquei nesta tarde visitar um amigo em um determinado hospital. Ali presenciei em um leito sem poder esboçar movimentos mais fortes, um homem de fé católica ilibada, sendo colocado à prova na sua verdadeira devoção ao Nosso Senhor Jesus Cristo e a Nossa Mãe Rainha. Depois de ser detectada uma enfermidade que persiste, trazendo dores em suas articulações dos membros inferiores, não é que aparece um problema cardiovascular! Porém o amigo com o apoio inabalado, na Fé e na companhia da sua esposa não se dar por vencido. Passou por cirurgia cardíaca, colocando pontes safenas e mamaria, se mostrando um bravo lutando pela vida, mostrando o seu amor incondicional ao seu Jesus. Nos momento de dor, chega a se perguntar por que meu Deus? Mas num mesmo instante se pega na palavra, e segue o seu desafio com coragem e bravura. Pois é, meus amigos, o Cristo se faz presente na vida deste homem, a nos mostrar que tudo isto faz parte do ciclo de nossas vidas, e nenhum de nós viventes deste mundo, esta imune ao sofrimento, à dor ou mesmo momentos de enfermidades. Cabe-nos, embebedarmos na palavra, praticando a partilha e as obras de amor e caridade, buscando o amadurecimento na fé, vislumbrando mostrar para Deus, nos infortúnios da vida, o tamanho da nossa Fé, e não o tamanho dos nossos problemas. Pense nisto.

 

Venceslau Maciel

Paroquiano de Sant’Ana do Rio Vermelho

 

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Considerações sobre a Quaresma enviada por um visitante deste site (Venceslau Maciel)
 
É Quaresma! Precisamos praticar o exercício, do perdão da misericórdia, com os nossos irmãos, buscando assim alcançar a misericórdia de Deus. Nestes quarenta dias precisamos sempre nos perguntar: Quem somos nós? Qual o nosso papel, como cristão. O que estamos fazendo para cumprir a vontade de Deus? Vivemos num mundo de buscas pessoais, sem preocupações com a vida de nossos irmãos. Muitas vezes não percebemos, a carências de pessoas bem próximas a nós. Uma palavra amiga, um abraço um ser escutado. Pai, mãe, avós muitos vivendo na própria casa sentindo solidão. Sabemos que o intuito é ajudar o idoso, mas inconscientemente o tornamos depressivos, quando não permitimos que eles exerçam tarefas mínimas, a exemplo de deixar que lave o seu prato, varra uma casa, arrume a sua cama. Aquele deixe que eu faça, na maioria das vezes fazem com que, o idoso se sinta um inútil, um peso para família, é claro que tem casos e casos. Vamos fazer desta quaresma momentos de reflexão. Precisamos nos transformar, não podemos ser cristãos da porta da igreja para dentro, e para fora vivermos uma vida no pecado. A desobediência à palavra de Deus nos remete a esta violência desenfreada que vivemos. Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo  
 

Considerações importantes sobre a Salvação em Jesus Cristo

Lembrei-me da bela letra de Gilberto Gil, intitulada, “Procissão” e pus-me a meditar num possível imaginário religioso, coletivo do nosso povo. Nesta composição, nosso grande artista diz assim: “Olha lá/ Vai passando a procissão/(...) As pessoas/ Que nela vão passando/Acreditam nas coisas lá do céu/ (...) Eles vivem penando/ Aqui na terra/ Esperando o que Jesus prometeu/ E Jesus prometeu/ Coisa melhor/Prá quem vive/ Nesse mundo sem amor/ Só depois de entregar/ O corpo ao chão/ Só depois de morrer/ Neste sertão (...)”.  Nestes versos, Gil passa uma ideia de salvação, postergada a um pós-morte, como prêmio de uma vida terrena sem amor, de total impotência, sem nenhuma perspectiva de mudança; vida feita para suportar um fardo pesado do qual é impossível libertar-se. Dei-me conta de quão triste e equivocada é esta forma de pensar. Podemos até concordar com ele, admitindo que esta seja mesmo a maneira da gente sofrida do sertão crer na salvação em Jesus Cristo. Mas será que nós, como cidadãos cristãos, pertencentes a uma sociedade hipermoderna, cheia de avanços tecnológicos, de informações e de conhecimentos científicos, captamos o sentido profundo da salvação que o Senhor conquistou para nós ao preço do seu próprio sangue? Conseguimos ultrapassar a visão única da libertação eterna e espiritual diretamente veiculada ao pós-morte, inerente ao modo de ver dos nossos irmãos nordestinos? Queremos dizer, será que também não compreendemos a salvação apenas restrita a um “ir para o céu” após a morte?

Tenho a impressão que nos apropriamos apenas de uma parte do ensinamento bíblico, do ensinamento final, consequente. A salvação não acontece só depois da morte, mas nas pequenas coisas do nosso dia-a-dia da vida aqui na terra. Que descoberta estupenda! Podemos comprovar esta verdade através de duas passagens do Evangelho que citamos a seguir. Quando Jesus foi à casa de Zaqueu e este, todo feliz, afirmou que ia devolver o quádruplo do dinheiro que havia roubado nos impostos, tornando-se um homem justo, o Senhor lhe disse: “Hoje a salvação entrou nesta casa” (Lc 19,9). De forma semelhante, Jesus declarou à mulher hemorroíssa: “Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz” (Lc 8,48). Em ambos os casos, percebemos que a salvação acontece no aqui e agora, no hoje, no momento presente da vida dessas pessoas, dentro de sua história pessoal, transformando-as.  Jesus entra em suas vidas para libertá-las e salvá-las. Temos no conjunto destas narrativas a presença de particularidades muito importantes: os dois protagonistas são pessoas que buscam com aguerrida decisão o Senhor que se deixa encontrar; a Zaqueu, Jesus cura-lhe o espírito e à mulher, o corpo; são comuns nestes dois relatos as atitudes de firme disposição de fé, de confiança e, sobretudo, de vontade daquelas pessoas que partem para o encontro com Deus, requisitos fundamentais para a mudança da mente e do comportamento (conversão). A salvação promove a renovação da vida da pessoa humana por inteiro, coroando-a de plena alegria porque realiza em cada uma delas a libertação e a cura de todas as suas mazelas.

Se atentarmos cuidadosamente para o único mandamento que Jesus nos ordenou – amar o próximo como a si mesmo, colocando-o em prática, com certeza viveremos rios de salvação em nossas vidas. Porque, além de experimentarmos a salvação em nossa própria vida, tornar-nos-emos instrumentos de salvação para o irmão. Observemos que nesta nossa sociedade, tão marcada pelo hedonismo, indiferença e individualismo extremados para com o próximo, temos a grande oportunidade de ser aquela “lâmpada” acesa (Lc 8,16) a irradiar a luz do Senhor que liberta, cura e salva.

Maria da Glória Andrade Almeida 

Paroquiana de Sant’Ana

Pós-graduanda em Filosofia Contemporânea

                          

 

 


 

     A nova Jerusalém         

Caminhamos na esperança, confiantes nas promessas do Senhor, sabendo que por melhores que sejam todos os esforços humanos, o que Deus preparou para os que o amam supera infinitamente nossas capacidades

Por Dom Alberto Taveira Corrêa

Faz parte da vida do cristão esperar o melhor, enxergar as luzes do futuro, construir o dia a dia com os valores do Reino de Deus, sem se cansar, recomeçando sempre, ainda que sejam frágeis nossas mãos e trôpegos os seus passos. Olhamos para a realidade de olhos abertos, positivamente ansiosos por descobrir os rastros da ação do Espírito Santo, que sempre nos precede, e lutamos para oferecer à humanidade, em qualquer época, o que sabemos existir de melhor.

A visão descrita pelo Apocalipse  nos faz desejar a morada de Deus com os homens, que chama de "Nova Jerusalém". Ele vai morar junto deles. Eles serão o seu povo, e o próprio "Deus-com-eles" será seu Deus. Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram (Cf. Ap 21,1-23). Esta Jerusalém desce do Céu, é presente de Deus, "já" chegou, mas é também preparada e edificada aqui nesta terra, onde quer que se proclame e se espalhe a novidade que vem do Evangelho e, portanto, "ainda não" se manifestou em toda a sua plenitude.

Como ensinou o Concílio Vaticano II (Lumen Gentium 48), "já chegou a nós a plenitude dos tempos (Cf. 1 Cor 10,11), a restauração do mundo foi já realizada irrevogavelmente e, de certo modo, encontra-se já antecipada neste mundo: com efeito, ainda aqui na terra, a Igreja está aureolada de verdadeira, embora imperfeita, santidade. Enquanto não se estabelecem os novos céus e a nova terra em que habita a justiça (Cf. 2 Pd 3,13), a Igreja peregrina, nos seus sacramentos e nas suas instituições, que pertencem à presente ordem temporal, leva a imagem passageira deste mundo e vive no meio das criaturas que gemem e sofrem as dores de parto, esperando a manifestação dos filhos de Deus" (Cf. Rm 8, 19-22).

Caminhamos na esperança, confiantes nas promessas do Senhor, sabendo que por melhores que sejam todos os esforços humanos, o que Deus preparou para os que o amam supera infinitamente nossas capacidades e nos levará à realização plena de todas as justas aspirações plantadas por Ele mesmo nos corações. "O que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu. A nós, Deus revelou esse mistério por meio do Espírito" (1 Cor 2,9-10).

O cristão peregrino, rumo ao Absoluto de Deus, carrega consigo alguns tesouros. Conhecê-los possibilita oferecê-los também a muitas outras pessoas, já que não podemos guardar escondidos os dons que Deus destinou a todos, por ser universal seu desígnio de salvação. Quando Jesus fez seus discursos de despedida, diante do evidente constrangimento de seus medrosos discípulos (Cf. Jo 14,27), garante-lhes sua presença permanente: “Se alguém me ama, guardará  a minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada" (Jo 14,23). Não se trata de uma presença caracterizada por relâmpagos, luzes ou terremotos, mas muito viva, real e serena. Ama a Deus quem guarda e vive a sua Palavra. E vai morar o próprio Senhor no coração de quem dá este passo. O Pai e o Filho habitam em quem vive a Palavra de Deus! Esta tem a extraordinária força para transformar o mundo. Quem a acolhe vive como pessoa renovada interiormente e ao mesmo tempo capaz de semear a novidade em torno de si.

Inigualável tesouro é ainda a ação do Espírito Santo, prometido por Jesus: "O Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito" (Jo 14,26). Para garantir-nos a veracidade de suas palavras, Jesus promete nada menos do que o Espírito Santo, dado em penhor a cada fiel! Daí nasce a coragem com que as sucessivas gerações de cristãos enfrentaram as dificuldades da missão evangelizadora. E a Igreja suplica incessantemente a ação do Espírito que vem!

Também nós olhamos para frente e para o alto, dispostos a fermentar com o Evangelho de Cristo todos os recantos da vida humana, com renovado ardor missionário. Não cabe desânimo no coração do cristão, pois não caminha sozinho, sustentado apenas pelas próprias forças. Entende-se assim a força com que o Papa estimula a ação missionária da Igreja: "Que toda a pastoral seja missionária. Devemos sair de nós mesmos e ir para as periferias existenciais e crescer na "parresia", que quer dizer audácia para anunciar com coragem o Evangelho. Uma Igreja que não sai de si, mais cedo ou mais tarde adoece na atmosfera viciada de seu confinamento. Também é verdade que uma Igreja que sai pode se acidentar. Diante disso, quero lhes dizer francamente que prefiro mil vezes uma Igreja acidentada que uma Igreja doente. A enfermidade típica da Igreja confinada é o auto-referencial, que olha para si mesma. É uma espécie de narcisismo que nos leva ao mundanismo espiritual e ao clericalismo sofisticado, e nos impede de experimentar a doce reconfortante alegria de evangelizar" (Papa Francisco, Mensagem aos Bispos Argentinos).

Sejamos dignos das promessas de Cristo, assumindo com renovada audácia os desafios do presente e do futuro!

Postado: (Zenit.org) -       Belém do Pará, 03 de Maio de 2013


 

Ide e anunciai Jesus ressuscitou

A Igreja conclama a todos nós batizados, sobretudo neste Ano da Fé e da Jornada Mundial da Juventude.

“Toda a Igreja é missionária.”

“A Igreja em estado de Missão.”

Devemos, a partir de onde nossos pés estão plantados, irradiar a Pessoa de Jesus e seu Evangelho. O Evangelho é sempre uma boa notícia, pois ele é Esperança, Amor, Luz, Beleza, Solidariedade no mundo que vive a “cultura da morte”.

Somos missionários desse Evangelho que é vida, vida abundante, vida eterna. O missionário é aquele que leva, é o 1° contato, a propaganda, a embalagem desse “produto”. Se for uma pessoa triste, encrenqueira, rabugenta, fechada, fanática, quem vai querer o “produto”?

Sejamos bons divulgadores, bons apresentadores, testemunhas pelo amor e serviço a todos. Infelizmente, há os antipáticos, insuportáveis, desequilibrados e radicais que espantam mais do que atraem para Jesus. A Igreja, seja diocesana ou paroquial ou outra realidade eclesial não é uma empresa, não pode ser gerida como tal. Deve ser comunidade acolhedora e que evangeliza eficazmente. Voltemos à nossa origem eclesial para sermos Igreja comunidade e missionária.

Lá no passado que se faz presente, lá nos primeiros passos desta comunidade bimilenar, em uma madrugada de um primeiro dia da semana (domingo), o dia mais importante da história, quando duas mulheres, duas Marias, Madalena e outra desconhecida, foram ao túmulo de Jesus e o encontraram vazio. Nunca um vazio foi tão importante, tão cheio de sentido, de esperança e alegria. De devotas de um corpo morto, tornaram-se crentes e testemunhas de Jesus vivo. “Alegrai-vos, não temais, ele não está aqui, ressuscitou”... “Ide e anunciai aos meus irmãos...”.

Esse “Ide” foi o primeiro passo da missão dado por duas mulheres, que tomará uma nova dimensão em Pentecostes A Igreja saiu de um túmulo vazio e foi anunciar Jesus vivo a todos os povos. Não esqueçamos, a Missão começou com duas mulheres eufóricas “anunciando: Jesus ressuscitou!” E não mais parou, nem vai parar pois a Missão continua.

 

 

Ir. João

Missionário leigo e colaborador na Paróquia de Sant’Ana

 
 
 
 
 
 

Quaresma Precisamos praticar o exercício, do perdão da misericórdia, com os nossos irmãos, buscando assim alcançar a misericórdia de Deus. Nestes quarenta dias precisamos sempre nos perguntar: Quem somos nós? Qual o nosso papel, como cristão. O que estamos fazendo para cumprir a vontade de Deus? Vivemos num mundo de buscas pessoais, sem preocupações com a vida de nossos irmãos. Muitas vezes não percebemos, a carências de pessoas bem próximas a nós. Uma palavra amiga, um abraço um ser escutado. Pai, mãe, avós muitos vivendo na própria casa sentindo solidão. Sabemos que o intuito é ajudar o idoso, mas inconscientemente o tornamos depressivos, quando não permitimos que eles exerçam tarefas mínimas, a exemplo de deixar que lave o seu prato, varra uma casa, arrume a sua cama. Aquele deixe que eu faça, na maioria das vezes fazem com que, o idoso se sinta um inútil, um peso para família, é claro que tem casos e casos. Vamos fazer desta quaresma momentos de reflexão. Precisamos nos transformar, não podemos ser cristãos da porta da igreja para dentro, e para fora vivermos uma vida no pecado. A desobediência à palavra de Deus nos remete a esta violência desenfreada que vivemos. Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo